sábado, 14 de agosto de 2010









A cidade dos colhedores de balões originou-se do encontro de dois amigos, Elaine e Iran. A narrativa escrita por ela, recria-se a partir das imagens feitas por ele. Deixam de ser ilustrações e passam a compor a história. O jogo com as negações, com o tempo e com o sentido pretende levar o leitor a questinar-se sobre a lógica da linguagem e a certeza das significações. Isso pode ser feito em diferentes camadas de leitura, conforme o leitor, que não é passivo, que interfere no texto e transforma-se ao ler. Por isso é para todas as idades. Mas, o mais importante é que é um livro divertido, que não precisa ser compreendido ou interpretado. Precisa ser lido e rido.

“Colhedores de Balões: País situado entre Acima e Abaixo e Rutabaga. Principal produto do país, os balões de todas as cores enchem o céu no final do verão. Balões de pêssego, melancia, pão de centeio e pão de trigo florescem, além de balões de lingüiça e costeletas de porco.”

Manguel, Alberto e Guadalupi, Gianni. Dicionário de Lugares
Imaginários. São Paulo: Companhia das Letras, 2001, p.112




7 comentários:

  1. Em “A Cidade dos Colhedores de Balões”, a literatura e as artes plásticas, cada uma a seu modo e com suas próprias potências, constroem, fecunda e instigantemente, uma multiplicidade expressiva muito potente. Para esquivar a narração e a ilustração, Elaine
    e Iran apostam na surpresa, na disformia, na transgressão e fabricam um porte para o
    livro que faz dele obra de arte. Eles constróem um povoamento em revolução e um franqueamento de fronteiras. Buscam o esvaecimento da figura por desmedida, por exuberância de cores, por dissimilitude. Exercitam o desapego à veracidade, à evidência, por saída da lei, da conformidade, da razão. Recusam o acordo entre o escrito e o pintado
    e entre o país descritível e um país experimentável. Manejam um baralhamento do espaco-tempo, que faz do trajeto e da transformação dos corpos uma abertura ao infinito e ao limitado: um presente irrevogável em qualquer sentido que se marche. E, sobretudo, fazem do convite de Alberto e Guadalupe, ao exercício do inbitual, um convite que despassa as marcas da literatura infanto-juvenil.


    Porto Alegre, 08 de julho de 2009
    Nilza Sousa
    Psicóloga

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  2. Na estranha cidade dos colhedores de balões fica explícito que toda comunicação é possível porque na linguagem opera uma lógica de oposições: negação - afirmação, acima - embaixo, pra frente - pra trás, fazer - desfazer, arrumar - desarrumar, dormir - acordar, convidar - desconvidar, em suma: ser - não ser colhedor de balões. Precisamente, o que torna compreensível uma afirmação é sua negação correlativa, pelo simples fato de que se destaca o efeito de sua presença pelo contraste com o suposto de sua ausência.
    Trata-se, por isso, de um livro que coloca em jogo o valor pedagógico da fantasía sem cair no lugar comum do ensino de comportamentos.
    Iniciativa interessante e bela (vejam os desenhos quase hieróglicos da ilustração) que aposta na inteligencia das crianças.

    ABÇ
    Alfredo Jerusalinsky
    Pscicanalista infantil

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  3. Aqui está um livro com uma boa história e uma divertida ilustração. A narrativa é inteligente, estranha, criativa com as palavras. As ilustrações acompanham, com a linguagem gráfica, o nonsense do texto. Dois artistas competentes, cada um com as suas ferramentas de trabalho, dão a esse A cidade dos colhedores de balões o equilíbrio mais difícil de se conseguir. É fácil, quando alguém vai escrever para crianças ou para adultos, passar do ponto. Querer "perfumar a flor", como disse o poeta João Cabral de Melo Neto. Não é o caso de Elaine Milmann. A ironia do texto dela dá o tom para as acertadas ilustrações de Iran Moreira.

    Ricardo Silvestrin

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  4. "A cidade dos colhedores de balões é uma pequena obra-prima.
    Uma narrativa que prende e diverte. Seja subvertendo a ordem natural e a lógica das pequenas ações do cotidiano, seja com as frases colocadas em ordem inversa e que nos fazem rir e pensar no seu significado real. Divertido para adultos e fascinante para crianças...aquelas de todas as idades.
    Não bastasse um texto cheio que qualidades, as ilustrações formam o par perfeito em uma obra onde o visual é mais do que um desafio. Como dar cores ao mundo dos colhedores de balão? Bem, Iran Machado deu lindas cores e formas ao belo trabalho de Elaine Milmann.
    Mais do que um livro, uma viagem. Rica, colorida e estimulante!"

    Thedy Corrêa

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  5. Parabéns pelo livro, eu que acompanhei um pouco da construção sei o quanto ele é especial!

    história divertida louca e colorida, assim como tu!!!

    beijos da sobrinha,
    Claudia Milmann

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  6. O minha linda. Tu tá poética! Além de campeã no uno, tu és também uma poeta!

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  7. SALVE, SALVE AMEBA MESTRA! SOMOS TEUS SEGUIDORES! BEIJOS pra tua linda cidade de balões!

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